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Cardiopatas e diabéticos exigem atenção no consultório

Publicado em : 24/03/2018

Autor : ABO Goiás

Fonte : Revista Odonto n.35 -

O paciente chega, você o recebe com um sorriso no rosto e o questiona sobre o motivo da consulta. Atento, encaminha a pessoa para a cadeira odontológica e inicia a avaliação física e clínica. Tudo perfeito até o paciente informar na anamnese ser cardiopata ou diabético. Indispensável, ela expõe a história médica e odontológica que pode excluir ou minimizar diversos problemas, especialmente na assistência odontológica voltada ao grupo de pessoas com esse perfil. A questão é: o que fazer com esse paciente?

O atendimento a pacientes sistemicamente comprometidos ainda não se encontra contemplado de forma satisfatória na maioria das grades curriculares atuais de graduação. Independente disso, a primeira conduta de segurança de qualquer odontólogo ao receber o paciente é montar um prontuário com informações adicionais àquelas restritas à Odontologia.

Nela devem constar a identificação e periodicidade de medicamentos que o paciente faz uso para eliminar as chances de interações indesejáveis com anestésicos locais ou fármacos de uso comum na prática odontológica ou mesmo a morte súbita. Esse aspecto é crucial no caso de assistência aos diabéticos e cardiopatas. A avaliação do estado geral de saúde e a adoção de medidas preventivas aumentam a segurança clínica no atendimento de pacientes que requerem cuidados especiais e obriga o profissional a adotar precauções antes de iniciar o tratamento clínico.

“É fundamental que o profissional saiba solicitar e avaliar exames laboratoriais específicos, considerar as medicações utilizadas e aferir sinais vitais. Isso depende de uma completa anamnese e a cada retorno do paciente deve ser reavaliado, conferido seu índice glicêmico, novas interações medicamentosas, frequência cardíaca, temperatura, pressão arterial e saturação”, alerta a coordenadora dos cursos de Odontologia para Pacientes Cardiopatas e Diabéticos da ABO Goiás e do curso de Odontologia Hospitalar e Pacientes Sistemicamente Comprometidos, Camila de Freitas.

Ela lembra que os pacientes portadores de disfunções metabólicas podem apresentar processos infecciosos que evoluem para sepse (doença de alta letalidade com 65% de óbito no Brasil). “Paralelamente, a constante mudança de parâmetros básicos e de medicações específicas para esse grupo deve ser parte de uma educação continuada para os profissionais de Odontologia”, afirma.

 

Prevenir é sempre o melhor

Medicina e Odontologia são ramos da área da saúde que caminham juntas. Os pacientes com cardiopatia ou com diabetes têm maior predisposição a problemas dentários não necessariamente por falta de cuidados, mas porque glicose mais alta aumenta possibilidade de infecções e lesões. Os riscos de atender um paciente descompensado são vários, de acordo com o cardiologista e responsável pelo contexto médico do curso de Odontologia para Pacientes Cardiopatas e Diabéticos, Alberto Las Casas Junior.

“Os cardiopatas podem evoluir para arritmia grave, infarto, desmaio e morte súbita, em casos extremos, na cadeira do dentista. Já nos diabéticos é possível ocorrer desmaio, hipoglicemia e se a glicose estiver alta há risco de complicações a longo prazo, como infecção no local da cirurgia, no corte que demora a cicatrizar e não fecha”, enumera Las Casas Junior. Por outro lado, além de prevenir contratempos, um profissional preparado pode até detectar essas doenças ou condições sistêmicas.

De acordo com Camila, “se o cirurgião-dentista se preocupa em avaliar o paciente sistemicamente, ele pode diagnosticar precocemente o início de Diabetes Mellitus, sepse e cardiopatias que não requeiram exames específicos para uma hipótese diagnóstica e assim encaminhá-lo ao serviço de saúde apropriado. Ele poderá buscar a qualidade periodontal e erradicar infecções no paciente auxiliando na manutenção do padrão glicêmico e na prevenção do surgimento de endocardite infecciosa de foco bucal”.

Segundo Alberto, cicatrizações demoradas podem sugerir diabetes descompensado, assim como falta de ar quando o paciente se deita na cadeira do dentista e o fôlego se torna mais curto e ofegante enquanto o pulso acelerado, a falta de ar e coração disparado sugerem problemas cardíacos.

Nessas situações, o dentista deve orientar o paciente a procurar um especialista em Cardiologia ou Endocrinologia para fazer um diagnóstico adequado. “O contato com cardiologista ou endocrinologista do paciente é relevante em caso de dúvidas. Um relatório médico detalhado, especialmente em relação à suspensão de medicações, por exemplo, faz toda diferença no tratamento odontológico”, ressalta o coordenador.

 

Conhecimento

Em agosto, a ABO Goiás realizará a segunda edição de “Imersão em Odontologia para Cardiopatas e Diabéticos“ após sucesso de público na estreia que contou com alunos de outros estados. O curso possui corpo docente formado por profissionais ligados à Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade de Infectologia e Associação de Medicina Intensiva, médicos e cirurgiões-dentistas.

As especificidades e o aumento desse grupo de pacientes ensejam a procura pela atualização científica. “O curso auxilia não apenas o profissional a atender de forma satisfatória e segura o paciente ao minimizar riscos para ambos, mas também visa auxiliar o profissional a absorver esse público gerando fidelização, visto que é um nicho de mercado. Ou seja, existe um público de pacientes cada vez maior necessitando de tratamento especializado”, diz Camila.

No programa, os alunos receberão orientações sobre as principais cardiopatias, os níveis ideais de pressão arterial, conforme sugerem as sociedades europeia e americana de Cardiologia, as drogas prescritas para esse público, as repercussões que as pessoas com esse perfil têm na cavidade bucal, as interações medicamentosas com risco de morte súbita em consultório, como solicitar e como interpretar os exames laboratoriais e de imagem, as emergências médicas em consultório odontológico, como realizar primeiros socorros, o uso da antibioticoterapia nesses pacientes e seleção de anestésicos.


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