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Alta performance em polimento de resinas compostas

Publicado em : 16/12/2019

Fonte : Revista Odonto nº 42 -

 

Uma pesquisa deve mudar a forma de executar polimentos em resinas compostas na Odontologia. O estudo ‘Influência do uso da irrigação durante o acabamento e polimento de resinas compostas: rugosidade superficial, estabilidade de cor e morfologia de superfície’, publicado na Revista Odontológica do Brasil Central (Robrac) concluiu que o procedimento, um dos mais executados pelos dentistas em rotinas clínicas, tem resultados mais perfeitos e longevos quando realizado com irrigação.

O estudo foi motivado pela observação de que a vida útil das resinas compostas variava muito, podendo chegar a 18 ou 20 anos ou ser muito curta. Um dos responsáveis, o especialista em Dentística Restauradora e professor do curso de Especialização em Dentística da ABO Goiás, Marcus Vinícius Perillo, lembra que o acabamento e polimento é um dos principais fatores que podem colaborar para essa falta de longevidade. “Observamos que o trabalho não tinha muito sucesso executando os protocolos que as indústrias fabricantes indicavam para sequência de polimentos, feita com 4 ou 5 discos”, explica.

O pesquisador concluiu que tudo que precisa ser polido e exige alto brilho, com uma pedra preciosa ou bancada de mármore, é polido com lixa associada à água, e se perguntou o “porquê” de não associar isso aos protocolos das indústrias para resinas compostas. Então, começaram as pesquisas utilizando água dentro da rotina clínica e concluiu-se que o sucesso era bem maior que no mesmo protocolo executado à seco, trazendo isso para a Odontologia.

O professor Marcus explica que os métodos utilizados foram estes próprios protocolos de polimento de resina composta, utilizando uma sequência de quatro discos. Foi escolhido um protocolo específico, o mais utilizado pelos profissionais na rotina clínica atual. “Realizamos o polimento à seco, conforme o fabricante recomenda, e o mesmo trabalho com adição de água em cada etapa. Não é lavando o polimento, mas o executando jogando jatos de ar e água”, explica.

Nesta sequência de polimento, também foram escolhidas variações: as adições de brocas multilaminadas, para usar entre os polimentos com os discos, e de um novo material de polimento que, segundo as empresas, é um grande facilitador e que resume muito o protocolo, que usa borrachas aspirais diamantadas. Segundo o especialista, a indústria recomenda trabalhar com umidade com essas espirais pontualmente e não trabalhar com água nos discos tradicionais. É aí que a mágica acontece: adicionando água nos processos recomendados à seco, cria-se uma superfície preparada para etapa final de discos espirais.

“Sem água, eles produzem um brilho aparente e ilusório. Quando fotografamos a superfície de resina e magnificamos a imagem, observamos que o dente possui muitas ranhuras. Por isso, dura menos”, ressalta Marcus. O resultado é que, quando o paciente ingere corantes pigmentados, eles aderem à parte arranhada, dando ideia de que a resina manchou. “Já a água exerce um resultado fantástico. Com a pesquisa, as indústrias começaram a se interessar em executar o procedimento para observar os resultados”.

Se eles forem confirmados, isso deve ser adicionado aos protocolos. O maior benefício para o mercado deve ser numa longevidade do trabalho dos profissionais que trabalham com resina para um pequeno reparo ou restauração. “O resultado do uso da água é uma superfície mais lisa, o que elimina as ranhuras do polimento à seco, reduzindo a chance de pigmentação e aumentando o brilho. O trabalho fica melhor esteticamente e mais duradouro”, ressalta o professor.

A grande maioria dos profissionais que fazem restaurações utilizam a resina composta. Mas, como se tem em mente que ela tem baixa durabilidade, muitos acabam sugerindo como única opção os laminados cerâmicos ou facetas de porcelana, que exigem maior desgaste do dente e têm maior custo para o paciente, o que é minimizado com o uso da resina composta. “A empresa cria um produto, mas nossa vivência clínica nos dá o respaldo para justificar se determinado protocolo funciona ou não”, destaca.





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